Berliner Mauer



1990. Foi há oito meses que o muro caiu. Hoje vamos visitá-lo com mais atenção, percorrê-lo. Faltam bocados em muitos sítios. Não há guardas em lado nenhum. Por trás das portas de Brandenburgo há um fervilhar de gente, berlinenses dos dois lados, turistas e alemães ocidentais. Estendem-se bancadas mais ou menos improvisadas. A feira mais original que já vi. Vendem-se fardas e equipamento dos volpos, os guardas do muro, e do exército e, olha olha, vendo melhor, do próprio exército soviético. Estou impressionado. Aquilo parece uma improvável utopia, o exército vendido aos bocados. Só não há armas. Não não, afinal também há, baionetas. E crachás de todo o tipo, e divisas, bandeiras, calças, dólmenes, botas, todo o tipo de chapéus ou lá como se chama aquilo com que os exércitos cobrem a cabeça e ainda aqueles espantosos modelos russos em pele. Comprei um telescópio, tipo pirata, soviético, com uma luminosidade fantástica.
Às tantas, uma nova surpresa. Bancadas com bocados do muro! Pedaços de betão de vários tamanhos, cinzentos e irregulares com uma das faces colorida, como que arrancada de onde estava um dos muitos, tantos, grafittis que do lado oeste humanizavam o muro. Que pena! Um dos vendedores disse que blocos inteiros foram vendidos para o estrangeiro, principalmente para os Estados Unidos.
Continuamos o nosso percurso. A certa altura, do outro lado do rio avistamos pessoas junto ao muro, parece que estão a parti-lo. Dirigimo-nos para lá. Ao aproximarmo-nos começa-se a ouvir um barulho de aço contra o betão. Dezenas de pessoas martelam as paredes, algumas têm panos no chão onde colocam os pedaços arrancados e os vendem. O preço varia com o tamanho e o colorido, os mais baratos são apenas betão. Última surpresa, afinal o colorido é de fabrico instantâneo, os diligentes extractores de recordações têm latas de tinta com que borrifam as paredes num pseudo grafitti, tinta deitada ao acaso, borrões. Não importa a forma, depois de arrancados os pedaços são demasiado pequenos para permitirem algum reconhecimento.
Lembro-me que tenho uma caixa de ferramentas no carro e, provavelmente, um martelo. E tenho mesmo, e ainda um pequeno escopo. Tento também extrair o meu próprio troféu. Não é simples, porque o betão estilhaça-se facilmente, mas encho um pequeno saco…
E é isto em que se converteu o muro, este muro, em recordações para turistas. Mais de 80 pessoas morreram a tentar atravessá-lo, mais de uma centena ficou ferida, foram presas milhares…

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11 comentários:

Chapa disse...

E que tal um olhar sobre a vida dos muros. http://www.youtube.com/watch?v=uuGaqLT-gO4

Chapa disse...

Mais um do famoso muro. http://www.youtube.com/watch?v=nch5MbnvTqY

ruimnm disse...

A queda ao som dos The Scorpions:

http://www.youtube.com/watch?v=6jPQM4o21aM

RC disse...

Quem se lembra de Nina?

http://www.youtube.com/watch?v=5r-FvfTn2MA

ana barata disse...

Pois, no fim, tudo se transforma mesmo em negócio. O que antes representou sofrimento, dor e morte é agora troféu, em uma qualquer vitrine.

PC disse...

Uma proposta um bocadinho diferente vinda de um outro lado do mundo...

http://www.youtube.com/watch?v=5B7aAhL60i8

cristina disse...

ainda antes do momento..

http://www.youtube.com/watch?v=_HDLGkFGtbE&feature=related

e partindo do momento de hoje (e somente para o caso de não achares que está "fora de tempo")...

http://www.youtube.com/watch?v=MwYJ3srGQ5w&feature=related

Micha disse...

oh well....faz de conta...

http://www.youtube.com/watch?v=FXY1BL8hqNo

Caçador disse...

RC minha querida, essa mesma Nina já foi posta num post anterior. Mas, como é a tua primeira vez, vou ter geitinho e ponho-a na mesma.
Bêjo

Álex disse...

eu tenho um desses teus pedaços...

Caçador disse...

Olha, nem me lembrava...