Querido mês de Agosto XII – Epílogo


Agosto terminou. Esta série também. Ficaram alguns temas de fora devido a problemas técnico e à vastidão do tema. Por exemplo, as viagens de avião; as cálidas, ou ventosas noites; os bailes de verão; as feiras e romarias; os passeios junto ao mar; o convívio das esplanadas; os bares de praia e as discotecas; as marisqueiras e as mariscadas; as escaladas e o montanhismo; as paisagens exóticas; os safaris… vocês sabem, isso tudo.

Fazemos das férias, um não tempo, um parêntesis nas nossas vidas, uma rêverie de onde não gostaríamos de sair. E no entanto, por mais que o tentemos ignorar, por mais que olhemos para o lado, o mundo real está aqui, está sempre aqui, presente e vertiginoso à espera de nos engolir, num vórtice de banalidade colorida e quotidiana. O raio da vida...

Como dizia o Solnado, façam o favor de serem felizes.


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Querido mês de Agosto XI – Álbum de família


As férias de Agosto estão a acabar. Felizmente que há o registo destes dias, em filmes ou em fotos: olha tu aqui em frente ao palácio, e aqui és tu a tentar fazer rir o guarda (eles não dizem mesmo nada), este é o nosso hotel, aqui o nosso quarto, a piscina (serviam lá uns cocktails …), esta é a praia do folheto, estão a ver aquela palmeira? é a do anúncio, este sou eu vestido com as roupas típicas de lá, esta és tu na areia, esta é a rapaziada da caminhada, isto é um prato típico, esta está um bocado desfocada mas dá para ver as pirâmides, nós na praia, foi tirada pelo rapaz que vendia cocos, a minha sogra ali atrás do camelo, não é um camelo é um dromedário, pois ou isso, aqui somos nós a andar de banana, gandas malucos…
Querem ver as fotografias das minhas férias?

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Querido mês de Agosto X – Os grupos excursionistas


A planificação de umas férias perfeitas implica um trabalho e dedicação sem falhas. Há que organizar itinerários, alojamentos, refeições, visitas, toda uma logística em que, uns não se sabem mover, e outros, não estão simplesmente para se dar a tanto incómodo. E há também quem prefira viajar em grupo. É para isso que existem os profissionais.
E é vermos as magníficas brochuras com os mais apetecíveis e variados programas de férias. Com meia pensão ou pensão completa, de avião ou em modernos autopullmans, é todo um mundo exótico e misterioso que se nos oferece com guias que falam a nossa língua ou algo parecido. E por um pequeno extra, oferecem-nos pacotes que dão acesso a circuitos pelo deserto em 4x4, passeios de camelo, jantares espectáculo com folclore local, visitas às termas ou ao túmulo ou ao mausoléu ou ao mercado ou… Vá, é por aqui, não se afastem muito…
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Querido mês de Agosto IX – Festivais de Verão


Mas o verão não é só praia, descidas de canoa ou caminhadas na montanha. Muitos trocam as areias ou os monumentos, a cidade ou as serras, por uma outra forma de celebração. Deslocam-se em pequenos bandos nómadas, com os parcos haveres enfiados em mochilas, até se encontrarem em locais pré designados onde permanecem alguns dias. Uma vez aí chegados, reúnem-se em colónias coloridas formadas por tendas de pano, onde dormem no chão, comem mal e sacrificam o conforto, e a higiene, em nome da força que os move. Terminado o evento, o ajuntamento é rapidamente desagregado, separando-se a turba, suja, sorridente e cansada, até se reunir em novo local de encontro onde o mesmo ritual será repetido. É a tribo dos festivais de verão, adoradores de música e de palcos, que veneram como catedrais. E o verão ecoa pelos ares…

Querido mês de Agosto VIII – Ir a banhos


Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se não estou a começar a ficar farto desta frase. A questão aqui é o hábito de, com o calor, as pessoas se dirigirem em massa para a beira-mar. A tentação para a linguagem psicanalítica é quase irresistível: o mar, a água como placenta regeneradora da terra e dos corpos e… todas essas metáforas, deliciosamente orgânicas e femininas, tornam-se um canto de sereia para os dedos no teclado. Somos como os ratos de Hamelin, hipnotizados pelo som da flauta de Poseídon que nos guia, em intermináveis filas de automóveis, para a doçura das águas. Mas é verão, está calor e, está-se tão bem dentro lá dentro…

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Querido mês de Agosto VII – Os Desportos Radicais

Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é a oportunidade para responder aos desafios que a natureza lhes coloca. Testar os limites do corpo e da resistência física. Procurar ir mais além no domínio das emoções e do controle da mente sobre medos e fobias. E é vê-las a escalar ou a descer montanhas, a voarem em frágeis aparelhos movidos pelo vento, a cavalgarem velozmente as águas ou a executar acrobacias de circo marinho num equilíbrio impossível sobre tábuas, a saltarem para precipícios vertiginosos suspensos apenas de cordas e panos coloridos. A desafiarem as leis da gravidade como quem se liberta da condição humana. E o verão reveste-se de ousadia…
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Querido mês de Agosto VI – Turismo Cultural


Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é a ocasião perfeita para se visitar os inúmeros templos de cultura que existem por aí. Museus, catedrais, castelos, monumentos, ruínas… são alvo de peregrinações atentas e circunspectas como o peso e a solenidade dos locais exige. São lugares de oferta mas também de saber e contemplação (não sou eu que me repito, o verão é que é muito contemplativo) e por isso, visitados num ambiente de calma e sossego necessários para uma melhor comunhão com o espírito da arte ou da história que esses locais emanam. E o verão reveste-se de aprendizagem...
 
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Querido mês de Agosto V – Meditação

 
Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é o momento ideal para recargar o espírito de energias positivas, de alinhar as chacras, de comunicar com o seu eu interior, de iniciar terapias transcendentais ou holísticas, de dar lustro à aura... Enfim, de procurar boas vibrações. E o verão reveste-se de meditação...
 
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Querido mês de Agosto IV - A tranquilidade da beira-bar


Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é o momento de procurar um recanto tranquilo, um lugar sossegado onde restabelecer energias para mais um ano. Muitos procuram o litoral, a beleza calma e hipnótica das praias. O sossego do mar. E o verão reveste-se de contemplação...

Querido mês de Agosto III – Os Cruzeiros


Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é a altura de concretizarem sonhos de há muitos anos. A realização de um cruzeiro é um deles. Embarcar num navio que os leve para destinos exóticos e excitantes. Fugir à rotina e à monotonia do quotidiano e abraçar em pleno o espírito das grandes expedições e descobertas. E o verão reveste-se de aventura…


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Querido mês de Agosto II – Jogos em família

 
Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas é a altura em que se aproveita para estar com a família. Em que finalmente se pode usufruir do prazer de estar com os filhos. Em que se lhes pode dedicar tempo de qualidade e compensá-los de um ano pouco atento pelo trabalho e agitação do mundo dos adultos. É o momento de brincar com as crianças, de inventar jogos e actividades na praia ou no campo. De lhes mostrar os caminhos da aldeia dos avós ou os monumentos das cidades. E o verão reveste-se de partilha…

Querido mês de Agosto I - Peregrinação

 
Agosto. Dizem que é a silly season mas, não sei se estou de acordo. Para muitas pessoas as férias são um assunto sério. Há que escolher itinerários e alojamentos, e nada pode ser deixado ao acaso sob risco de se falhar aquela igreja ou aquele restaurante que vem indicado no guia. Noutros locais fazem-se romarias e festas religiosas onde se tem de ir por tradição ou devoção (há muitos anos que a fé me é estranha, tenho dificuldade em compreender as religiões que mandam matar ou morrer em nome de um deus que ninguém viu). E, é claro, existem ainda os locais de peregrinação: Fátima, as Canárias, Lurdes, o Algarve, o Egipto, as praias do nordeste brasileiro, o último local da moda ou, como é o caso, Santiago de Compostela. E o verão reveste-se de espiritualidade...

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O (teu) coração é uma jóia preciosa

As distâncias põem à prova as capacidades do coração enquanto órgão responsável pelo percurso do sangue através do organismo. A distância e a duração da distância interferem no transporte do oxigénio e nutrientes a todas as células do corpo. É então que ocorrem sintomas anómalos: arritmia, respiração pausada e profunda, alucinações auditivas e até (com o tempo) visuais, comportamentos estranhamente irresponsáveis, dependência compulsiva de telefones fixos e celulares, taquicardia, sensação de frio e aridez durante a noite. Sintomas típicos de homens temporariamente sós.
 
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O sossego da terra



É o adeus à mina do Lousal. Fui lá duas vezes este ano, em Fevereiro e Abril. Sinto um enorme e não explicado fascínio por áreas industriais abandonadas, por ruínas de fábricas, por estas paisagens envenenadas. Por locais povoados apenas por bichos, memórias e fantasmas. Deixo-vos esta última imagem das instalações e dos terrenos à volta, esventrados e revolvidos pela inquietude dos homens, finalmente(?) deixados em paz.

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