V i n d i m a s


Lá em baixo os homens despejam enormes baldes de plástico (sem o glamour dos velhos cestos de verga) na goela do reboque. O tractor equilibra-se como pode pela encosta abaixo, o sumo a escorrer, num rasto de Ariane, traça o caminho da adega. As uvas, ubérrimas de sol, vão ser esmagadas, ainda, por pés que as calcam como quem dança ou quem procura o futuro num corpo esventrado entregue em sacrifício. Os bagos transformam-se em mosto, sangue sugado da terra que tinge e inebria até adormecer de cansaço, sono tumultuoso de crisálida a fermentar no escuro mineral das talhas. A fermentação é o acto que consagra a transubstanciação do suor na substância do vinho.

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alentejo na tem sombra…


(…nem tem muita gente, ainda por cima têm-lhe fechado os centros de saúde, as maternidades, as escolas… de modo que, por este andar,)  
sobra a luz e a cal

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Um balcão em Verona



se deixaste de ser minha
não voltei a ser quem era
por morrer uma andorinha
está de luto a Primavera

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Exposição


Serve o presente para vos fazer mais um convite para uma nova exposição (e não dizerem que só a outra senhora é que convida). É uma colectiva, comemorativa do 10º aniversário do projecto ImaginArte em que colaboro há para aí uns sete anos. A inauguração vai ser já na próxima quinta feira 23, às nove e meia da noite. Apareçam para um copito e um dedo de conversa ou vice-versa e, já agora, ver a coisa.

O sítio da lama

- histórias edificantes sobre adolescentes em crise, freiras perversas e génios precoces 

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O tempo das palmeiras


Era no tempo das palmeiras, lembras-te? Quando estas incham e rebentam com um som estridente de pássaro, um odor intenso, doce, a sexo e a leite-creme queimado. Quando o ar se enche de aves, laranja e amarelas e aquelas, de enormes asas verdes com brilhos metálicos, a rasar-lhes as copas, inebriadas com o cheiro da seiva que escorre pelos buracos do tronco, em coreografias nupciais acrobáticas e secretas. Os macacos, pequenos e de braços compridos como bonecos de peluche, bebem-na até caírem de costas na areia da praia, os ventres inchados e os olhos a revirarem de prazer e incredibilidade.

Ao longe, as ilhotas afundavam-se no mar com o pôr-do-sol, para emergirem de novo na manhã seguinte, atraídas pela luz como as traças e os mosquitos. Morcegos enormes, com cara de poucos amigos, vinham comer fruta das nossas mãos, o bater das asas refrescava o ar como os leques das andaluzas.

Passou por nós um grupo de mulheres a cantar e a rir, vestidas com panos coloridos e eu disse-te que me faziam lembrar quadros de Gauguin. Concordaste com um aceno de cabeça, debruçada sobre um enorme copo de seiva com gelo e rum que sorvias ruidosamente por uma palhinha cor-de-rosa, os olhos com um brilho quente e azul que quase escondia o castanho habitual.

Perguntaste-me se eu também seria capaz de cortar uma orelha para provar o meu amor. Disse-te que uma vez rasguei a perna no arame farpado, quando roubei girassóis para te oferecer. Sorriste. Acenderam-se as torres do estaleiro naval e a noite recuou por momentos…


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Epitáfio

Se calhar ao verão ou às férias, sei lá...