dos sonhos



Já não sonho os sonhos que sonhava, sabes? Aqueles sonhos redondos em tecnicolor que me tapavam à noite e eu debaixo deles como num cavalo de corrida à desfilada. Por vezes voava até cair com um estremeção de ossos e acordava nu no meio de uma praça cheia de gente e eu a fugir numa cidade desconhecida que depois daquela esquina era a minha rua e pela outra rua era Paris e o sonho rebentava como uma bola de sabão furada pela voz da minha mãe ou, mais tarde, pelos gritos estridentes do despertador e depois, tantas vezes, pelos teus lábios a derreterem flocos de sonhos que ainda pairavam, borboletas ou mosquitos, a zunir-me restos da noite na madrugada e eu a prolongar a cama para os colar à pele como uma tatuagem. 
Eram sonhos que me alimentavam e me protegiam os dias contra o excesso da luz, aquela luz que cega e revela as impurezas dos corpos como uma gargalhada num velório ou os dislates incontidos dos bêbados. Sonhos que limavam as arestas aos dias, a bomba na mão dos asmáticos e eu a reaprender a respirar.
A noite tornou-se mais espessa sem eles, um poço de alcatrão que atravesso cego e sem bengala, estranhamente menos densa, sem corpo nem praça nem cores e por isso mais pesada e eu a acordar como se não tivesse dormido e só o sol da manhã a atravessar o passador dos estores me salva do pânico… 
Já não sonho os sonhos que sonhava, sabes?


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"e na noite azeda mergulho como um boneco de corda" nas Digressões 2013

um posto de há dois anos que podem ver aqui, agora em exposição nas paredes da Oficina de Cultura, em Almada

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DIGRESSÕES 2013

Isto é um convite, estão todos convidados! E é já amanhã.

Persona XI


Falamos do rosto. Das máscaras que se colocam sobre as máscaras para sermos quem quisermos. Os romanos chamavam persona às máscaras do teatro. Per sonare. Expandir a voz. Eu, em puto, chamava-lhe caraças.

(esta é dedicada ao rapaz Remus, conhecido apreciador de máscaras)


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Persona X


Falamos de máscaras. Do rosto que se coloca sobre o rosto para sermos nós próprios. Os romanos chamavam persona às máscaras do teatro. Per sonare. Expandir a voz.

Há personagens que, de tão afiveladas, parecem ter-se tornado banais, mas banais mesmo só serão quando deixarem de fazer sentido… mas pelo sim pelo não, protege-se o olhar da máscara…