Art in a cage

 
1- Se perguntarmos para que serve a arte, iremos ver que não são poucos os autores, dos mais anónimos aos mais conhecidos, que disseram que no fundo, no fundo, a arte não serve para nada. Quer dizer, não tem um valor utilitário, não se come, não se veste, não dá abrigo, não nos transporta de um lado para o outro… a sua ausência não traria risco para a nossa existência física, não poria a nossa espécie em vias de extinção. Partindo desta premissa (e sei que estou a ser redutor), se não serve para nada, então porque é que tantas vezes a arte incomoda tanto (tal como o sexo e o humor)? É impressionante a quantidade de obras das várias artes que foram alvo de censura ao longo do tempo, em todos os lugares deste planeta. Livros, filmes, quadros, músicas, fotografias, exposições… foram e continuam a ser proibidos, censurados, destruídos, queimados, obliterados por poderes, governos, igrejas, seitas, loucos, gente que se sente incomodada por algo que, no fundo, não serve para nada. Não é que essa gente, pelo menos alguns, ponha em causa o direito desta existir, não, a questão é que a querem domesticada, mansa, decorativa. Exactamente para não servir para nada.

2- E depois, há a street art, chamemos-lhe assim, graffiti, stencil, stickers, posters… Movimento artístico, vandalismo, fenómeno sociológico, lixo, intervenção social, praga, manifesto político, mensagem de amor ou ódio, marco de fronteira, mijadela na parede para demarcar território. Invadem as paredes como um vírus colorido. São tatuagens na pele das cidades. Arte de rua que não é só arte, nem só de rua. Se exposta numa galeria, ainda é street? E bombing e tags, serão art? Onde começa uma coisa e acaba outra? Quais os limites do gosto, da propriedade, do fascínio, da paciência…? É como um animal selvagem, sem controlo. Não seria melhor, por isso, estar numa jaula?
 


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19 comentários:

Andres Vargas disse...

Un maravilloso encuadre.

Ángel Corrochano disse...

Magnífica fotografía y magnífica reflexión.
Yo personalmente me quedo con la idea de que el arte debe de servir para comunicar la necesidad de transformación permanente de las cosas. Como revulsivo que comunique a las personas lo imprescindible de una sociedad mejor.

Un abrazo

cuentosbrujos disse...

Una composicion interesante como interesante es la reflexion
me gusta pasarme por aqui compañero
saludos

disse...

BRILHANTE...!!!

Merce disse...

Non non, xamais a arte nunha gaiola, a arte debe facer honor a liberdade, por iso e arte. Arte tamen somos nos e xa nos meten en gaiolas fisicas e psicoloxicas baixo pechos que endexamais poderan ser abertos. Polo tanto demoslle liberdade a arte :)

Unha magnifica fotografia e unha fermosa e acertada reflexion.

Bicos

kiko esperilla disse...

Inquientante reflexión sobre una buena composición.

luisM disse...

A arte não serve para nada? Ai serve, pois, tens andado distraído a ver museus. Para já, ocupam aquela parede vazia que incomoda à vista. Depois dá status e costuma ser um bom investimento, se não nos enganarmos, quando as especulações em acções de risco deixam uns lucros difíceis de escaparem à atenção do fisco (por isso, também, o mercado da arte é fraquinho em Portugal. O fisco é um pouco distraído!). Depois é uma boa caução para afirmação social, normalmente na procura da ascensão, tentando a integração em grupos de referência.

A arte, salvo erro, é o segundo negócio gerador de receitas, depois do vestuário, no "mundo" mais desenvolvido (descontando os negócios considerados ilegais, como as armas e a droga). Ainda se poderia dizer mais, mas já dá para uma boa conversa.

Quanto à arte de rua, então, é de rua! Precisa de entrar numa galeria porquê? Para se institucionalizar e ganhar dignidade e estatuto? Desculpai-me possíveis leitores deste texto, mas apenas mentalidades estereotipadas e ignorantes poderão pensar nisso. O conceito de Museu como depósito das obras significativas e emblemáticas está ultrapassado há uns anos (basta pensar no programa dos eco-museus, que já é coisa antiga). E depois, se por acaso ela entrar no "templo" da cultura (e é capaz de entrar) quer dizer que o seu tempo está passando, que as perspectivas das ideias e da praxis estão mudando, e se achou importante preservar exemplos de formas típicas de uma época. Mas, a arquitectura não vai para museus, fica nas ruas e é mantida assim, preservando-se através da sua manutenção.

E a música, como é que se mete num museu? A música é a pauta, é a sua interpretação, ou as suas múltiplas interpretações? Onde é que reside o seu original a preservar? E mesmo que se seja exaustivo, vale a pena guardar todas as gravações? No entanto, são parte integrante da multitude de aspectos duma obra.

Claro que são coisas diferentes, o original da arte pública é, muitas vezes, fácil de identificar (mas o stencil, como matriz de reprodução, já se torna mais complicado). Devemos entender os contextos, o histórico e o da actualidade em que os modos de fazer são intervenientes. A arte de rua não substitui a outra "mais convencional", mas convive com ela, num confronto e num diálogo. Como tal importa que mantenha os seus pressupostos e não se transforme num parente podre a pedir a sua oportunidade (tal como bastante gente entende, mesmo os que a praticam).

Como exemplo, já assisti a gente dos grafittis a passá-los a tela e a expô-los em galerias. Bom, pode ser que tenha tido azar com as minhas experiências como público, mas o resultado a que assisti não passava de um kitsch pretencioso e mal amanhado (passe o pleonasmo), como quando se usam umas roupitas a que não estamos habituados e pretendemos fazê-las passar pelo nosso habitual tipo de atavios. Resulta um incómodo sem jeito.

Bem,isto é um discurso, que, feito nestas condições, acaba sempre por se tornar redutor, simplista e incompleto em demasia. Estava aqui um bom tema para um colóquio, daqueles que a gente conhece.

Bora lá?

Puxas-me pela língua ó coiso, depois levas estas pancadas nos olhos!

Até já!

Caçador disse...

Bora lá mesmo, é só dizeres que a gente organiza isso. E a idéia era mesmo puxar pela língua a quem aqui vier.
Não faço afirmações só perguntas, questões de que gostava de ver opiniões.

luisM disse...

Essa coisa de fazeres a tese de mestrado à conta da cabeça dos incautos, ainda te vai dar chatices. Com a alimentação deficiente nos tempos que correm, ainda aparecem discursos delirantes, diarreias discursivas, incoerências na fraseologia, fragmentação argumentativa.

Lá se vai a coerência do discurso literal e chumbas!

Escreve antes uma novela!

luisM disse...

ou então põe-te a estudar...

Gabiprog disse...

El arte sirve para alimentar necesidades...
Pero no mencionaré esas 'necesidades', las del artista y la del espectador, son muy personales...

:)

XuanRata disse...

Ya hace tiempo que tenemos la manía de pintar en las paredes: 30.000 años como mínimo. Lo de los museos es otra cosa, tiene que ver más con la necesidad de la adoración que con la necesidad de la expresión.
Una pregunta me surge: ¿nuestros blogs se parecen más a un grafiti o a una sala de exposiciones? ¿?

tia ana disse...

e qual será a vista de dentro da jaula? um mundo selvagem? a arte é o que nos distingue dos outros animais! talvez por sermos mais parvos? podiamos viver sem arte? sim claro, mas o desemprego aumentaria ainda mais! mas afinal o que é a arte? alguém tem a "arte" e o engenho de me explicar?

luísM disse...

Arte é tudo aquilo que se convencionou chamar arte, cujos pressupostos se incluem na área de saber e do pensamento humano que é a estética.

O resto são argumentos!

Someone disse...

Sou apaixonada por tudo o que é arte, principalmente fotografia e adorei o teu blog! :D

haideé disse...

El problema de ponerle etiquetas a todo y de hacer de todo un sentido de clases.
En muchos lugares ya les contratan para decorar utensilios urbanos que son totalmente anti arte (bueno algunos pueden llamarlo arte conceptual) -otra vez las etiquetas-, pero nadie parece decir nada al respecto... curioso... admitimos tantas cosas ante nuestros ojos dando por hecho que tienen que estar...
La necesidad del ser humano de expresarse más allá de la palabra hablada nos acompaña desde el origen de cualquier atisbo de vida, ya que hace tiempo que se ha descubierto que algunos animales también pintan, en abstracto, bueno por poner otra etiqueta, lo puede ser para nosotros para ellos igual es otra cosa.
El poner limites conlleva quebrantos de otros por esto estamos siempre como desubicados, ya lo dice el Tao, a más reglas más desequilibrio... y callo que me estoy enrollando, jeje...
Y dale con dar ideas :))) de todos modos muchos de nosotros somos los que estamos en jaulas, y no las vemos, ¡¡¡ciegos!!!
Un abrazo

Cris disse...

Fabuloso!!!!/cris, visões)

alterdom disse...

la traduction est approximative du portugais au français, mais j'ai compris l'essentiel:

Les murs comme peau, corps, voix pour ceux qui n'ont pas accès à la parole, OUI!!!!!

Bravo!

las paredes como piel, cuerpo y voz de los que no puenden expresarse, SI!

Teresa Queiroz disse...

gosto destes modernos vitrais :)